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INFORMATIVO 29

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Taxas de homicídios de jovens brasileiros voltam a crescer, mostra estudo do IPEA

 

Geraldo Leão – 06/06/2017
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA divulgou o Atlas da Violência 2016, relatório que traz os resultados do estudo desenvolvido em parceria do instituto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) sobre os dados da violência letal no Brasil.

Cruzando informações do Ministério da Saúde do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) até 2014, complementados com informações de registros policiais reunidos pelo FPSP, os dados mostram que as mortes letais cresceram assustadoramente nos primeiros anos dessa década de 2004 a 2014.
A pesquisa confirma o que várias organizações e entidades veem denunciando há muito tempo. Há um genocídio da população negra e moradora das periferias e regiões mais empobrecidas do país. Entre essa população, os jovens negros são as maiores vítimas: “Aos 21 anos de idade, quando há o pico das chances de uma pessoa sofrer homicídio no Brasil, pretos e pardos possuem 147% a mais de chances de ser vitimados por homicídios.” (p. 22)
A evolução da violência reflete as desigualdades regionais, com grandes variações entre estados e regiões metropolitanas. Ainda fica mais evidente a violências contra negros, jovens e mulheres.
Por fim, o relatório confirma a prática da subnotificação da violência cometida pelos policiais, pois os registros hospitalares não trazem dados por mortes em “intervenções legais e operações de guerra”, apesar de haver um código específico para realizar tal informação.
Em 2014 foram quase 60 mil homicídios, o que corresponde a mais de 10% dos homicídios no mundo, segundo o estudo. Desse total, mais da metade (31,4 mil) tinham entre 15 e 29 anos. Apesar de todas as mobilizações de entidades e organizações juvenis na luta pela defesa da vida de nossa juventude, o relatório traz a triste confirmação dos efeitos da ausência de políticas públicas e da conivência do Estado brasileiro em relação ao verdadeiro extermínio de nossos/as jovens.

Os dados completos podem ser acessados em: 

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/160322_nt_17_atlas_da_violencia_2016_finalizado.pdf

 

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Expediente, pesquisa e produção: Luísa Nonato

Coordenação: Geraldo Leão

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