Busco, no presente trabalho, investigar os sentidos que os jovens de um centro socioeducativo da Região Metropolitana de Belo Horizonte atribuíam à participação em uma oficina de teatro desenvolvida através do projeto “Arte e Expressão”. Tal projeto era fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais e a Associação de Amigos da Escola Guignard. Busquei também compreender e analisar: quem eram os jovens participantes da oficina e como vivenciavam sua condição juvenil estando privados de liberdade; que experiências a participação na oficina proporcionava aos jovens; as possibilidades e limitações de oficinas de arte no espaço investigado; qual a contribuição das oficinas de teatro para aqueles jovens. A investigação consistiu em um estudo de caso. Os principais instrumentos metodológicos foram observação de campo por um período de três meses e a realização de entrevistas semi-estruturadas com seis jovens e com alguns profissionais da unidade. Percebeu-se que os jovens constroem distintos sentidos para a participação na oficina, tais como a possibilidade de ocupar o tempo; a oficina como espaço de experimentação e de convivência entre os jovens e como um momento de alegria. Foi possível notar, ainda, repercussões na subjetividade desses jovens, bem como o fato de que a importância e potência da oficina parecem estar localizadas no tempo presente. Em relação aos sujeitos pesquisados, ressalto o fato de viverem em um contexto de constante negação de direitos. Pergunto-me, também, se existe, de fato, um sistema socioeducativo.
