#CurrículoDoFacebook: denúncia de crise e demanda pela reforma do Ensino Médio na linha do tempo da escola

A relação entre tecnologias digitais, juventude e currículo é um tema que tem demandado uma série de investimentos em pesquisa, porque se trata de um assunto que problematiza o tipo de sujeito produzido na sociedade contemporânea. Nesta dissertação de mestrado, essa relação não ficou de fora. Busquei investigar os ditos do currículo do Facebook, indagando o que ele quer e quais demandas são postas por ele à juventude ciborgue. Foram pesquisadas as páginas do Facebook criadas em nome de cinco escolas estaduais, situadas em Belo Horizonte, Minas Gerais. A metodologia utilizada contou com elementos da netnografia e da análise do discurso de inspiração foucaultiana. A investigação foi feita com base na perspectiva teórica dos estudos pós-críticos e os conceitos que subsidiaram as análises das informações produzidas foram: a) Currículo, entendido como artefato cultural que está em muitos espaços se desdobrando em diferentes pedagogias, produzindo sujeitos de determinados tipos; b) Cibercultura, que é a cultura produzida e em circulação no ciberespaço; c) Culturas Juvenis, enquanto os múltiplos sentidos e formas de ser jovens e d) Juventude Ciborgue, que se refere à fusão dos/as jovens com as tecnologias digitais de forma que estes/as têm seu modo de existência alterado por aquelas. A pesquisa contou ainda com o estudo da pensadora e filósofa Hannah Arendt sobre a crise na educação. O argumento aqui desenvolvido é que o currículo do Facebook denuncia uma crise na educação e, ao fazer isso ele também demanda que o Ensino Médio seja reformado. Para superar a crise e caminhar rumo à reforma, aciona-se elementos da cibercultura. A crise no Ensino Médio é evidenciada com a denúncia de um modelo escolar ultrapassado, que não se atualizou frente às transformações contemporâneas. A perda de autoridade docente foi divulgada como um elemento que compõe o mote da crise e o resgate dessa autoridade foi a estratégia discursiva acionada para reformar o Ensino Médio. O currículo investigado também mostrou seu desejo em ensinar conteúdos curriculares aos/as alunos/as no ciberespaço como uma reinvenção de suas práticas. Essa estratégia, no entanto, foi contestada pelo próprio currículo quando este, tentando se reinventar, acabava por legitimar as formas tradicionais e os saberes escolares. Divulgou-se uma escola que não é atrativa para os/as jovens, a não ser como um espaço de sociabilidade, demandou-se que o Ensino Médio fosse reformado, e os/as jovens foram convocados/as a promover essa reforma. Assim como no currículo do Facebook divulgou-se que a escola precisa mudar para atender as especificidades contemporâneas, divulgou-se também um tipo de aluno/a que corresponderia a uma escola reformada, demandando sujeitos participativos e envolvidos com as propostas da escola.

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Keywords: Cibercultura, Culturas Juvenis, Currículo, Facebook., Juventude Ciborgue
Categories: Dissertação, Produção, Produção Científica