EXISTO PORQUE RESISTO: Práticas de re-existência de jovens mulheres aprendizes frente às assimetrias de gênero

As desigualdades nas relações de gênero é um tema que tem sido bastante discutido em diferentes locais e instâncias sociais. Ser jovem e ser mulher são dimensões marcadas por assimetrias nas práticas culturais, econômicas, políticas e educacionais. Mas também são marcadas por re-existência, força e luta por uma sociedade igualitária nas relações de gênero. Nesta dissertação de mestrado, busquei analisar como é ser jovem mulher aprendiz e vivenciar sua condição juvenil. O programa jovem aprendiz, implementado pela lei da aprendizagem (10.097/2000) foi criado pelo governo federal para auxiliar as/os jovens na entrada para o mundo do trabalho. A aprendizagem profissional corresponde à formação técnica dirigida à/ao jovem e deve ser implementada por meio de um contrato de trabalho especial. A investigação foi feita com base na perspectiva teórica dos estudos pós-críticos e como técnicas metodológicas foram realizadas observações e entrevistas em duas turmas de uma instituição de Belo Horizonte, que oferece a formação teórica para as/os jovens aprendizes. Como referencial teórico foram utilizados os estudos sobre gênero, juventude e trabalho, além de elementos da perspectiva foucaultiana de análise. Com isso, o argumento geral da dissertação é que em suas vivências em casa, na escola, na instituição formadora, no trabalho e nos espaços de lazer as jovens contestam o sexismo. A condição juvenil da jovem-mulher aprendiz é, portanto, marcada pela re-existência às normas de gênero e também pela racionalidade da governamentalidade neoliberal. As jovens aprendizes desestabilizam as normas de gênero, resistem, criam e transformam os modos de existência. Apesar de combaterem as práticas machistas, as jovens relatam como as desigualdades nas relações de gênero as privam do acesso aos tempos e espaços de lazer, comprometendo a vivência da condição juvenil das jovens mulheres aprendizes, restringindo suas experiências e perspectivas. Em disputa com o discurso sexista que limita vivências das mulheres, o discurso da governamentalidade neoliberal demanda a posição de jovem empreendedora de si, que invista em sua qualificação profissional, na qual o processo de escolarização é divulgado como fundamental. Dessa forma, as jovens problematizam os discursos que divulgam estereótipos de gênero, comportamentos e características ensinados ao longo do processo de socialização dos sujeitos e divulgados como naturais. Elas contestam o machismo e todas as práticas que visam controlar suas ações e que atuam como regimes de verdade produzidos socialmente.

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Keywords: Condição juvenil, Gênero, Jovem aprendiz, Jovens mulheres, Re-existência
Categories: Dissertação, Produção, Produção Científica